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Você sabe qual a importância da inspeção e limpeza em tanques de combate a incêndio? Caso não saiba, leia este artigo até o final. Nele vamos apresentar um caso real, com informações que vão te ajudar a entender por que este serviço é essencial para garantir a segurança de colaboradores e do patrimônio material das empresas.

Descrição do Projeto

Em 2019, a Advanced Services Povider (ASP) foi contratada por uma empesa do ramo químico para realizar a inspeção e limpeza do reservatório de água do sistema de combate a incêndio, localizada na região norte do Brasil.

Construído em 2001 e com capacidade para armazenar 2.700 m3 de água, o reservatório metálico possui 17 metros de diâmetro e 11 metros de altura, teto cônico e fundo plano. Desde então, o equipamento havia sido limpo apenas uma vez e não recebia manutenção há cerca 15 anos.

Tanque de Água de Combate a Incêndio
Primeiros passos: inspeção visual robotizada

Com os dados fornecidos pela empresa em mãos, o primeiro passo foi analisar as condições do tanque.

Por se tratar de uma indústria química, produtora de produtos altamente inflamáveis e que opera em três turnos ininterruptos, não havia a possibilidade de parada para inspeção do reservatório fora de operação, condição esta que a seguradora não permite. Por isso, utilizando um Veículo Remotamente Operado (VRO) equipado com câmeras de alta definição e um sonar, a equipe da ASP primeiramente realizou a inspeção visual e a batimetria do sedimento com o tanque em funcionamento.

Durante esta etapa, com as imagens de alta definição e os dados batimétricos fornecidos pelo VRO, foi possível avaliar que o reservatório possuía um volume entre 110 m3 e 120 m3 de sedimentos depositados no fundo, relata o diretor da ASP Paulo Augusto Martinez.

Munidos desses novos dados, a equipe pôde avaliar as alternativas de retirada do sedimento e traçar o planejamento referente ao procedimento de limpeza.

ROV de Inspeção Visual
Sedimento: um problema de segurança

Antes de avançarmos em nosso relato, é preciso explicar porque o serviço de limpeza desses tanques é fundamental.

O caso em questão é um bom exemplo dos riscos que a falta de manutenção de sistemas de combate a incêndio podem gerar. O grande problema do acumulo de sedimento nesses reservatórios está ligado a ineficiência que ele gera no sistema caso seja necessário utilizá-lo. Como exemplo, podemos destacar o entupimento das rede de sprinklers, o travamento da bomba principal, o aparecimento de corrosão nas chapas dentre outros fatores.

“Costumo fazer uma analogia com o corpo humano. Quando há sedimento em excesso no sistema de combate a incêndio, é como se ele estivesse com o colesterol alto. O sedimento funciona como a gordura em nossas artérias. Ele se espalha pela tubulação e bloqueia o fluxo de água obstruindo sistemas importantes no combate a incêndio”, explica Martinez.

Limpeza do tanque de combate a incêndio

Após a avaliação inicial feita durante a inspeção visual, o segundo passo foi realizar o serviço de limpeza do tanque. Ao longo de duas semanas, a equipe da ASP retirou os detritos depositados no fundo do reservatório, que durante todo este período foi mantido em operação.

Para tanto, foram utilizados dois robôs submarinos durante a operação. O primeiro, um VRO de limpeza, foi responsável por descompactar e dragar todo sedimento para fora do tanque. Já o segundo gerou imagens da operação em tempo real, auxiliando o trabalho do operador do robô de limpeza.

“Devido ao longo período sem manutenção, ao iniciarmos a retirada dos detritos percebemos que boa parte do sedimento já estava solidificado no fundo do tanque. Ao removê-lo, era possível identificar as várias camadas de sedimentos, algo muito parecido com a estratificação das rochas . Este fato, que não é verificável durante a inspeção visual, dificultou bastante o trabalho de retirada. Além de ser um volume grande de sedimento, que chegava até 1,40m de altura, ele estava muito compactado e resistente”, relata Paulo Augusto Martinez, diretor da ASP e responsável pelo projeto.

Todo o resíduo retirado do reservatório em manutenção foi bombeado e descartado em uma galeria de água pluvial localizada próximo ao local da operação.

ROV de Limpeza em Operação
Manutenção em tanques de combate a incêndio

Atualmente o Brasil não conta com uma norma regulamentadora específica para a inspeção e manutenção de sistemas de combate a incêndio, sendo que algumas empresas acabam adotando a norma norte-americana NFPA 25 (National Fire Protection Standards 25) como referência.

De acordo com os itens 9.2.6.1.1 e 9.2.6.1.2 da NFPA 25, que dispõem especificamente sobre a inspeção de reservatórios metálicos de combate a incêndio, a inspeção interna em tanques metálicos sem proteção catódica devem ser realizadas a cada 3 anos. Para tanques construídos a partir de outros materiais, como concreto, estes serviços devem ser feitos a cada 5 anos. Para a situação de inspeção subaquática na qual o tanque permanece com nível de água, a NFPA 25 no item 9.2.6.2 determina a retirada do lodo antes da inspeção.

Entretanto, Martinez alerta para especificidades que devem ser levadas em consideração ao elaborar o planejamento de manutenção dos reservatórios.

“Tanques abastecidos com água oriunda de rios ou poços artesianos tendem a receber mais sedimentos. Durante a captação, além de água há muita areia bombeada para dentro do reservatório. Outro fator importante é que por não receber tratamento químico, esta água acaba desenvolvendo uma biodiversidade composta por uma quantidade mais elevada de matéria orgânica, contribuindo para a proliferação de organismos que alteram o pH da água e aceleram o processo de corrosão em tanques metálicos. Por isso, neste caso nós recomendamos que a limpeza seja realizada a cada 2 anos”, alerta.

Análise da condição do tanque

Após o término do serviço de limpeza do reservatório, a empresa contratante solicitou um ensaio para calcular a vida útil do tanque e estimar o tempo até a parada obrigatória para o reparo da estrutura.

Para realizar este serviço com o tanque em operação, a ASP utilizou um robô equipado com scanner ultrassônico que coletou mais de um milhão de pontos nas chapas de fundo, dos quais 946.620 foram aproveitados. Vale ressaltar que este ensaio é realizado em conformidade com a API 653, da American Petroleum Institute, para calcular a taxa de corrosão em chapas metálicas.

Após a coleta dos pontos ultrassônicos pelo scanner, a ASP encaminhou os dados para análise de um técnico credenciado na norma API 653 nos Estados Unidos, este constatou que a espessura residual da chapa do fundo do tanque tinha atingido seu limite mínimo conforme determinado pela norma. Originalmente, a chapa tinha espessura de 9,5 mm, entretanto foram encontrados várias medições com 3mm residual, sendo sugerida a parada do tanque de imediato para manutenção.

Sobre a ASP Serviços Industriais

A ASP – Serviços Industriais é uma empresa com mais de 15 anos de atuação no mercado de inspeção e limpeza de dutos e tanques, sendo respeitada pela excelência dos serviços prestados. Com uma equipe altamente qualificada, utiliza as mais avançadas tecnologias disponíveis no mercado de robótica para satisfazer as demandas e necessidades de seus clientes.

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